18 de abr. de 2013

Como eu queria

Um papel em branco, lápis e borracha. Era o que eu precisava para começar a escrever uma estória, diferente de todas já vividas. Nessa nova escrita, só tinha espaço para personagem, sentimento e emoção profundamente expressiva 

O papel deixou de ser branco, rabiscos e apagões estavam se desenhando. Mas algo parecia errado, entrelinhas, a estória, que era para ser diferente das já vividas, se repetia. Apaguei as linhas escritas. Comecei a escrever uma nova ou velha teimosia. Tornei a apagar as linhas. Realmente eu queria, queria viver uma estória significativa na minha vida. Mas o personagem principal não permitia, não vivia a emoção que eu queria, era uma ilusão mal resolvida.

Esse personagem se iludia, acreditando que já ter vivido as melhores estórias de sua vida. Se iludia, com o coadjuvante que lhe diz: "alguma coisa ele dizia". Se iludia, achando que todas as estória já vividas, jamais encontraria tanta alegria. 

Papel rasurado, lápis sem ponta, borracha em pedaços. Eu, após tanta ladainha, amassei o papel e acabei com a ilusão de escrever uma nova estorinha.

15 de abr. de 2013

Acreditar


"Às vezes, o que precisamos está tão próximo... Passamos, olhamos, mas não enxergamos. Não basta apenas olhar. É preciso saber olhar com os olhos, enxergar com a alma e apreciar com o coração. O primeiro passo para existir é imaginar. O segundo é nunca se esquecer de que querer fazer é poder fazer, basta acreditar" Pedro Bial

12 de abr. de 2013

Homossexualidade

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?

DRAUZIO VARELLA

Minha música!


Quem cultiva a semente do amor
Segue em frente e não se apavora.
Se na vida encontrar o dissabor
Vai saber esperar a sua hora.
Às vezes, a felicidade demora a chegar,
Aí é que a gente não pode deixar de sonhar.
Guerreiro não foge da luta, não pode correr.
Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer.
É dia de sol, mas o tempo pode fechar.
A chuva só vem quando tem que molhar.
Na vida é preciso aprender: se colhe o bem que plantar.
É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar.
Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé,
Manda essa tristeza embora.
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
E a sua hora vai chegar!

11 de abr. de 2013

“O Feliciano é uma benção de Deus. Ele é tão nazista, arcaico e egoísta que enfim estamos acordando para a homofobia e o preconceito. É um mal que vem pra bem. É tão absurdo e forte, como se quem não pensa como ele estivesse associado ao demônio, possuído. Aconteceram coisas que doeram na minha alma. E, para ser contra essa aberração, quem antes não queria chocar a bisavó está se assumindo. Graças a isso, a homofobia daqui a pouco vai acabar, como acabou a escravidão.” Letícia Sabatella

4 de abr. de 2013

Brilhe!


Imagina que você tem um diamante maravilhoso, e que vai guardar num lugar completamente escuro. Ali ele ficará sem nenhum brilho, como um simples pedregulho. Mas, se você o colocar num lugar claro, ele brilhará intensamente. Guardado num lugar escuro ou exposto à luz, o diamante continua sendo o mesmo, sem nenhuma alteração na sua qualidade ou preço. Mas num lugar escuro ele não brilha, e isso é porque ali não é o lugar certo para ele poder mostrar o seu resplendor. O mesmo pode se dizer em relação às pessoas. Se o caráter de uma pessoa não brilha, isto não quer dizer que ela é inferior à outra; significa apenas que a "posição" ou "direção" da sua mente não está correta. É só corrigir essa "posição" ou "direção", e o caráter dessa pessoa passará a brilhar.
Portanto, não despreze a si mesmo. Não se recrimine. Não se entregue à autocompaixão, considerando-se inferior. Não despreze a sua "verdadeira natureza".