3 de nov. de 2012

A favor das certezas


Comigo só funciona se for explícito, claro e objetivo, porque não conheço nada mais bacana e leal do que pessoas que sabem postular suas crenças e seus desejos. Claro, que para alguns segredos, cabe o baú, mas os sentimentos perdem a graça se forem sufocados. Para mim, sentimentos declarados, proclamados a dois ou para o mundo, se for necessário, tem um sabor e um prazer sem tamanho. Quem se cala, para não correr riscos, não se responsabiliza pelo seu prazer e não tem motivos para ser feliz. Quem não tem coragem para buscar suas certezas, não merece deixar o coração pulsando.

Admiro as pessoas corajosas e abomino gente medrosa, sem brilho, sem ousadia. Nunca gostei de diálogos com reticências. Elas apenas me dizem que você não terminou que algo está engasgado e, portanto a correnteza levará suas palavras ou seu silêncio abortará seus ganhos, pela ausência de palavras. Gosto de quem sabe o que sente e se por acaso tem alguma dúvida, não deixa a noite sufocar. Respeito e reverencio quem se atira e não se resguarda para o próximo dia. O próximo dia, talvez nem virá. 

Aquele que guarda o sentir, pressente medo e este sentimento atrofia a felicidade. Quem não tem coragem de abrir a alma, não deve ser presenteado com a generosidade do amor. Aquele que titubeia, fala por etapas, não engata sentimentos, termina me facilitando o desencanto. 

Homens e mulheres que não sabem o que querem, também não preenchem suas lacunas. Pessoas que retardam suas decisões por dúvidas, que sentem sem saber o quê, também continuam com sede mesmo pertinho do pote. Não há sensação melhor do que a proximidade com pessoas que estreitam suas relações pela segurança e coragem e também não há nada mais desanimador e broxante do que pessoas que precisam consultar as cartas, os amigos do bar, a cadernetinha de telefone, o seu técnico de futebol, sua mãe, tia, avó e cachorro , se aquela direção ou aquele sentimento é mesmo de bom tom ou se aquilo que está sentindo tem algum futuro promissor.

Pessoas que ajuízam demais suas decisões, que andam a passos alternados, ora rápido, ora tartaruga, esmorecem os nossos sentimentos. É estimulante e extremamente erótico, gente que busca incansavelmente saber o que quer e porque quer e com o tempo adquire as respostas e sabe dizê-las. Eu não troco um olhar seguro, um passo firme, uma convicção, por nenhuma malandragem sedutora.

Pessoas que abrem portas, pagam contas, fazem convites, dão indícios, mas não abrem o coração não me interessam. Pessoas apaixonantes não fazem tragédias do que sentem. Não pedem conselhos e nem sofrem de tédio. Pessoas que se conhecem, não debocham dos afetos e não tem dúvidas entre escolher aquela pessoa da China ou a outra do Japão. Elas sabem. Elas sentem. Elas não desistem quando as bocas se aproximam. Gosto de quem sobe os degraus, apropria-se dos seus sentimentos, resolvem seus pronomes e agarram seus adjetivos, sem medo dos sentimentos morrerem no outro dia. 

Eu me dou o direito de pertencer aqueles que amam, sabem amar e tem suas razões para este amor e de preferência que sejam também as minhas razões. Amar,é melhor sem vergonha e sem juízo. Amar é evaporar certezas.

Ita Portugal

31 de out. de 2012

Cenoura, ovo ou café?


"Uma menina se queixou ao pai sobre a vida e como as coisas estavam difíceis para ela. Já não sabia o que fazer - estava cansada de lutar e de combater. Parecia-lhe que assim que um problema estava resolvido, um outro surgia. Então, o a levou até a cozinha, encheu três pequenas panelas com água e colocou no fogão.
Assim que a água começou a ferver, numa panela colocou cenouras, em outra ovos e, na terceira, pó de café.

Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.
A filha esperou impacientemente, imaginando o que sairia dali.
Minutos depois, ele apagou o fogo.
Pegou nas cenouras, nos ovos e no café, colocando-os em recipientes separados. Virou-se para a filha e perguntou:

_Querida, o que estás vendo?
_ Cenouras, ovos e café - respondeu ela.

Ele pediu-lhe para provar as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.
Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela obedeceu e, depois de retirar a casca, verificou que o ovo endureceu com a fervura. 


Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole de café. Ela sorriu ao sentir o aroma delicioso e então perguntou:
_O que é que isso significa, pai?
_Cada um destes - a cenoura, o ovo e o café - enfrentou a mesma adversidade, a água a ferver, mas cada um reagiu de uma maneira diferente. A cenoura, que era crua e rígida, amoleceu e tornou-se frágil. Os ovos, antes frágeis, mesmo com a casca protegendo o interior, tornaram-se firmes e mais resistentes. Já o pó de café é incomparável: depois de colocado na água fervente, ele mudou a própria água.

Após profundo silêncio, o pai prosseguiu:
_Qual deles és tu? Quando a adversidade bate à tua porta, como respondes?


És a cenoura, o ovo ou o pó de café? És como a cenoura, parecendo firme e forte, mas, com a dor e a adversidade, murcha e torna-se frágil, perdendo a sua força? Ou será que és como o ovo, começando maleável, mas, depois de sofrer alguma pressão da vida, torna-se duro? A sua "casca" até parece a mesma, mas por dentro, está duro. Será que és como o pó de café? Transformas o meio que te aflige, alteras o que causa dor e ofereces algo melhor e mais gostoso do que havia antes da adversidade?

E você, como lidar com a adversidade? Cenoura, ovo ou café?"

28 de out. de 2012

eleições

Como saber o que é melhor ou pior para Salvador? Todos eles tem culpa no cartório e estamos longe de encontrar um digno de exercer um cargo de tanta importância, que envolve a vida de tantas pessoas. É fato que ambos farão o melhor que eles puderem. Um lado visando e sonhando com o cargo mais importante desse país, o outro, querendo dar continuidade ao trabalho de renovação e crescimento que começou em 2002. 

Não gosto de falar de política pois muitas pessoas esquecem que o voto é uma escolha pessoal e te julgam por sua escolha. O que eu desejo mesmo é que o que vencer hoje, faça o melhor para essa linda Salvador e a tire desse buraco.

Tenho dito!